Nacionalismo e Europeísmo. Serão noções antagónicas?
A resposta é um rotundo NÃO! Só elementos passadistas e com "horizontes curtos" podem ver na nossa grande Europa ou nas pátrias carnais europeias os inimigos de Portugal.
A sobrevivência da identidade portuguesa está intrinsecamente ligada à preservação da identidade Europeia, logo, temos, hoje, de encetar um combate supranacional. Inevitavelmente a luta pela perpetuação da nossa identidade não pode ser empreendida apenas à escala nacional: somos demasiado vulneráveis e fracos para fazer face ao aparelho etnocida. Como tal, a única solução é uma sinergia de forças, abrangendo todo o continente Europeu. Só assim seremos capazes de vencer esta contenda, a maior e a mais decisiva.
Acreditamos firmemente que o futuro da nossa Nação só poderá ser assegurado com uma União Europeia (que não a actual!), assente no respeito e na promoção da identidade dos Povos, e não uma União baseada no capital e no primado do económico.
O povo europeu não pode continuar sob o jugo do neo-liberalismo que hoje comanda os destinos da nossa Europa.
Os nacionalistas europeus não podem alhear-se das angústias do seu próprio povo, para satisfazerem caprichos ideológicos. Têm, isso sim, que revoltar-se contra os governantes corruptos que conduzem a Europa para a destruição, seguindo cegamente o instinto do capital.
Os actuais governantes são egoístas, e nós precisamos de governantes altruístas, que concebam a nação como uma comunidade, a qual está a ser invadida demograficamente, transformada étnica e culturalmente e destruída economicamente. Os problemas que hoje afectam os portugueses são os mesmos que afectam os nossos irmãos europeus. Posto isso, os sacrifícios têm que ser travados em conjunto, não podemos dividir esforços e cair nos nacionalismos estreitos e odientos para com os nossos irmãos. Basta de chauvinismos e de xenofobias!
O nacionalismo europeu almeja novas conquistas. Desprendido do conceito anacrónico de estado-nação, resultado e herança da Revolução Francesa e que não corresponde às necessidades da Europa, consideramos legítimas as aspirações das pátrias carnais, como a Córsega, Euskadi, Bretanha, Galiza, Escócia, Flandres ou Lombardia. Nações na sua verdadeira acepção, estes países procuram libertar-se do jacobinismo centralista que pesa sobre eles há séculos. Desejam adquirir a independência, a fim de melhor assegurarem a perpetuação da sua especificidade identitária, tendo perfeita noção de que, recuperadas as antigas liberdades perdidas, unidos numa grande Europa, onde se aplique efectivamente o princípio de subsidiariedade, poderemos, então, voltar a ser o que fomos outrora, a Europa Potência.
É urgente livrar-nos das mentalidades retrógradas e encarar o futuro da Europa numa autêntica união que defenda efectivamente e acima de tudo os interesses dos europeus.
Assim sendo, a União Europeia que hoje vigora não serve os interesses dos nossos povos. Urge implodi-la, antes que seja tarde.
Nós, Causa Identitária, somos nacionalistas porque somos Europeístas convictos. Olhamos para a Europa, como o nosso espaço natural, o espaço onde originalmente surgiram os nossos antepassados, aqueles que levaram a que hoje sejamos portugueses, a nossa singularidade nesta Europa. A nossa afirmação na Europa não passa por virarmos costas ao "Velho" Continente, barricados no poeirento orgulhosamente sós. Passa, isso sim, por nos unirmos em torno do essencial; a defesa da milenar identidade comum europeia.
Para os que acreditam numa Europa Social e Solidária, tal como nós, é primordial a luta pela manutenção da identidade. Só faz sentido ter uma Europa Socialista com a garantia de que a nossa especificidade etno-cultural será preservada.
Assim sendo, lutamos e lutaremos para que a estrutura neo-liberal em que a actual União cresceu seja desfeita, porque uma estrutura Europeia tem que representar o seu Povo e não interesses que lhe são estranhos e que só pretendem destruir a grandeza deste grande Continente.
Não nos vamos alongar neste texto sobre o que queremos e pretendemos para a nova Europa, basta pesquisar a página da Causa Identitária para perceberem quais os nossos intentos e objectivos. A Luta Nacional, expressão tão querida dos nacionalistas tacanhos, que na realidade não são senão meros patriotas, tem que transformar-se em Luta Europeia, os conceitos e as expressões que determinados "nacionalistas" usam têm que ser ultrapassados e substituídos por outros mais inovadores e audazes.
A palavra Nacional tem que readquirir o sentido etimológico original, isto é, ser entendida e identificada com o povo, o etnos grego.
A reformulação do discurso nacionalista é primordial neste combate. É importante que o povo veja que não somos xenófobos, e que até almejamos uma Europa Unida que lute pelos interesses dos trabalhadores europeus, de todos os europeus. É imperioso um corte radical com o discurso tipicamente associado à extrema-direita. Não somos, nem queremos ser associados à extrema-direita, o nosso posicionamento político está a um nível superior à clássica clivagem direita/esquerda, porque colocamos os interesses da nação em primeiro lugar. O caminho não é à direita nem à esquerda, é em frente!
A única alternativa a este sistema decadente, é a posição europeísta. Na luta contra a globalização económica, demográfica e cultural, o combate, insistimos, passa pela preservação das identidades. O espírito revolucionário existente em cada combatente identitário e verdadeiramente nacionalista é a nossa fonte de alimentação para combater por uma Causa na qual acreditamos. É esta nossa crença, e a qual nos distingue do discurso nacional-passadista.
Não queremos deixar mentes incrédulas, mas o futuro do nacionalismo é, indubitavelmente o europeísmo.